25 abril 2018

Resenha - O Cão que Guarda as Estrelas


O mangá é dividido basicamente em duas partes, a primeira, intitulada O Cão que Guarda as Estrelas, é sobre a amizade de um senhor (citado apenas como "papai") e o seu cachorro (Happy), e a jornada que eles fazem juntos. E a segunda parte, intitulada Girassóis, conta a história do Okutso, um agente social, e vem falar um pouco sobre a questão de ficar preso a certos sentimentos e não conseguir seguir em frente. Contudo, mesmo se tratando de histórias diferentes, ambas acabam se entrelaçando e compondo o mesmo enredo.

P.s.: Nessa resenha acabei focando as minhas impressões apenas da primeira parte do mangá, pois foi a que mais me impactou. Só acabei percebendo isso no final da resenha, portanto, sinto muito :/


Na primeira parte do mangá, conhecemos o Happy. Ele estava em uma caixa, aguardando ser adotado por alguém, e então, uma garotinha o vê e o leva para casa. A partir daí, ele começa a conhecer os membros da família da garotinha, Miku, e se acaba se tornando membro integrante dessa família.
Tomei um susto tão grande que acabei mordendo o papai. Esse foi o nosso primeiro encontro.
No começo tudo estava bem, eles pareciam formar uma família feliz. No caso do "papai", ele tinha um posicionamento bem "peculiar", digamos assim, com as coisas em sua vida. Para ele as coisas estavam tudo bem, por isso ele não se preocupava em ser o melhor, em fazer o melhor, apenas o necessário. Também não era de discutir, brigar, apenas aceitava o que quer que fosse, e quando pediam a sua opinião ele sempre dizia “faça o que quiser”. E talvez esse tenha sido o problema. Entenda, não estou dizendo que foi culpa só dele, mas com certeza, acredito que foi um motivo.

Como eu havia dito, no começo tudo estava bem, mas ao longo do tempo as coisas mudaram, ele perdeu o emprego e, foi deixado pela esposa e filha, restando, no final das contas, apenas ele e o Happy.

Sem família, emprego, ou um local para morar, eles acabam embarcando em uma jornada para o sul, para a terra natal do "papai". E assim começa essa emocionante jornada da dupla.
Quando as coisas vão mudando aos poucos, depois de alguns anos, acabam mudando bastante.
Com relação a esses primeiros acontecimentos, dois pensamentos se fixaram na minha mente. O primeiro é que fiquei revoltada quando a mulher dele o abandonou, e ainda no momento em que ele mais parecia precisar. Tento não julgá-la tanto, é claro, pois considero que apesar de a hora ser bem inoportuna, esse já era um pensamento que passava em sua mente, o seu relacionamento já não era mais o mesmo, ele foi desgastado com o tempo, e o fato de o seu marido não demonstrar se importar com as coisas, talvez um pouco indiferente, tenha feito as coisas acabaram dessa forma.

E o segundo é que, apesar das dificuldades enfrentadas o "papai" nunca sequer cogitou em abandonar o Happy, e isso foi uma das coisas que mais me fizeram admirá-lo.
Você é um "cão que guarda as estrelas". É uma expressão muito usada para descrever uma pessoa que sonha muito alto. Você fica sempre olhando para algo impossível de ter, como as estrelas. "Guardar" também significa ficar sempre de olho em algo.
Acredito que se eu fosse resumir esse mangá em apenas uma frase eu diria que ele é “um história singela e profunda”. Singela porque é uma história simples, não tem muita complicação, não tem muito mistério, mensagens para decifrar nas entrelinhas. Ele é simples e direto. E profundo, porque por mais que ele não tenha uma história muito complexa, o autor conta o trajeto da dupla e a sua interação de uma maneira tão suave e ao mesmo tempo tão intima e cotidiana, que acabamos nos identificando com os personagens e compartilhando de suas emoções. Além disso, ele trás diversas mensagens e situações para que reflitamos sobre.
Você deseja, deseja e mesmo assim não consegue realizar. Mas é por isso que continua sonhando. Só isso. Enquanto viverem, todas as pessoas são "cães que guardam as estrelas."
O começo do mangá, é basicamente o fim da primeira história (isso é bem óbvio), já que nas primeiras páginas vemos a polícia em volta de um carro no matagal onde foram encontrados dois corpos, um de um homem e o outro de um cachorro. Mas mesmo assim, a história me conquistou de tal forma, eu fiquei tão apaixonada pelos personagens, que ao final fiquei triste, querendo que não acabasse ali, que a história fosse uma daqueles fantasias onde tudo acaba bem, onde o personagem percebe que estava apenas sonhando. Mas infelizmente, ou felizmente, não foi assim que aconteceu. De qualquer forma, a história é emocionante, tanto que, quando eu li o mangá, devo confessar que acabei chorando com ele.

Acredito que esse fato se deve, principalmente, a forma como o autor decidiu dar vida ao cachorro e voz aos seus pensamentos, de uma forma tão pura, inocente e fiel, que não tem como não sentir vontade de amá-lo e protegê-lo. Quanto ao senhor, ele com certeza me surpreendeu pela sua bondade, amor, cuidado e fidelidade para com o seu parceiro de aventura, e também com outras pessoas.

Essa com certeza é uma história que indico veementemente que leiam, pois ela é bem curta, então podem terminá-la bem rápido, e ao mesmo tempo é uma história tão gostosa que tenho certeza que aquecerá os seus corações. Espero mesmo que, ao ler o mangá, ele consiga tocá-los tão profundamente como ele fez comigo.
FICHA TÉCNICA

Nota do crítico: ★★★★★
Título: O Cão que Guarda as Estrelas
Outros títulos: Hoshi Mamoru Inu
Volume: Único
Capítulos: ------
Gênero: Aventura / Drama / Ficção
Autor/Organização: Takashi Murakami
Editora: JBC
Selo: ------
Páginas: 132
Ano: 2014 (Brasil)
Sinopse: Acompanhe a emocionante aventura de um homem que, sem emprego, abandonado pela esposa e diagnosticado com uma grave doença, parte - acompanhado somente de seu cachorro - em uma viagem pela costa em direção ao interior do Japão e de um lugar que ambos possam chamar de "lar".
Escrito por Takashi Murakami e publicado originalmente em 2008, "O Cão que Guarda as Estrelas" é um romance único, numa narrativa simples e profunda, que revela traços de uma grande amizade, companheirismo e solidão.


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