18 fevereiro 2019

Resenha #110 - Tartarugas até lá embaixo


Aza Holmes, nossa protagonista, uma adolescente de 16 anos, resolve entrar na onda de sua amiga Dayse e investigar o desaparecimento de um milionário, em busca dos 100 mil reais da recompensa, nisso conhecemos Davis, que foi amigo de Aza na infância, cujo pai é o tal milionário desaparecido. 

Até ai tudo bem, porém algo mais profundo envolve essa história. Aza sofre de TOC (Transtorno obsessivo compulsivo) e a história é repleta das aspirais de pensamentos que oprimem a Aza constantemente e tudo que isso provoca nela e em seus relacionamentos. 

É absolutamente fantástico a precisão de detalhes, as aspirais que nos levam até lá embaixo junto com a protagonista. Nos somos envolvidos pela leitura de uma maneira ímpar, compreendendo os sentimentos da Aza e se sentindo impotente como ela no meio de toda a confusão instalada em sua mente. 

"Não dá para saber como é a dor de outra pessoa, da mesma forma que tocar o corpo de alguém não é o mesmo que viver naquele corpo." 

Além disso, acompanhamos o desenrolar da investigação sobre o pai de Davis, assim como a aproximação de Aza e Davis, conhecendo também a mente dele e seus traumas de abandono e solidão, já que a mãe morreu e seu pai sempre foi ausente. Agora ele se encontra sozinho com o irmão mais novo, sem saber como agir nessa situação.


A mente de Davis e seus questionamentos também são muito incríveis. Há uma densidade muito grande de aprendizado conhecendo Aza e Davis, sem falar no romance que envolve os dois, que é diferente de tudo. É muito, muito lindo a forma como eles se aceitam. 

"Tanta gente exalta a beleza dos olhos verdes e azuis, mas havia uma profundidade nos olhos castanhos de Davis que simplesmente não existe nas cores mais claras, e o olhar dele me fez sentir como se houvesse alguma coisa que valesse a pena ver também no castanho dos meus olhos." 

E a grandeza da história não acaba aqui, ainda temos Dayse que sem dúvida faz um papel essencial para a história, deixando-a mais divertida além de nos mostrar a força da amizade entre ela e Aza. E pra quem é fã de star wars vai gostar ainda mais de Dayse, pois ela é uma ótima escritora de fanfics de star wars. 

"Muitas vezes nada conseguia me livrar do medo, mas, em outras, só ouvir Dayse já resolvia. Ela conseguia consertar alguma coisa dentro de mim, e eu já não sentia mais como se estivesse num redemoinho, ou sendo sugada por uma espiral que só se afunilava."

O que tenho a dizer é que me encantei com a história e aprendi muito com os personagens. Eu estou simplesmente apaixonada por Tartarugas até lá embaixo - e gostaria de ter colocado ainda mais frases incríveis nesse post. Leiam, de verdade, é incrível.


"A gente escolhe os nossos finais e os nossos começos. Podemos escolher a moldura, sabe? A gente pode até não decidir o que aparece na foto, mas a moldura é a gente que decide."


FICHA TÉCNICA  


Nota do crítico: 
★★★
Título: Tartarugas até lá embaixo 
Série: ------
Volume: Único
Gênero: Ficção 
Autor/Organização: John Green 
Editora: Intrínseca
Selo: ----- 
Páginas: 272
Ano: 2017
Sinopse: Depois de seis anos, milhões de livros vendidos, dois filmes de sucesso e uma legião de fãs apaixonados ao redor do mundo, John Green, autor do inesquecível A culpa é das estrelas, lança o mais pessoal de todos os seus romances: Tartarugas até lá embaixo.

A história acompanha a jornada de Aza Holmes, uma menina de 16 anos que sai em busca de um bilionário misteriosamente desaparecido – quem encontrá-lo receberá uma polpuda recompensa em dinheiro – enquanto lida com o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC).

Repleto de referências da vida do autor – entre elas, a tão marcada paixão pela cultura pop e o TOC, transtorno mental que o afeta desde a infância –, Tartarugas até lá embaixo tem tudo o que fez de John Green um dos mais queridos autores contemporâneos. Um livro incrível, recheado de frases sublinháveis, que fala de amizades duradouras e reencontros inesperados, fan-fics de Star Wars e – por que não? – peculiares répteis neozelandeses.


10 comentários:

  1. Oi Janaína.
    Eu tenho meus problemas com o John Green, mas gostei muito da sua resenha e tenho a sensação que gostaria de conhecer a Ava. Parece ser um livro sensacional.
    Beijos.
    Fantástica Ficção

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  2. Oie!

    Eu confesso que tenho um pezinho atrás com esse autor, por conta de A Culpa é das Estrelas, que não foi um livro que me agradou muito. Mas a história parece ser muito boa e já vi muitas resenhas positivas desse livro, então fiquei bem interessada.

    Bjão
    Início de Conversa

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  3. Olá Jana!!!
    John Green é um dos meus autores favoritos, se não o favorito e eu sou um tanto suspeita em falar do mesmo.
    Eu gosto desse livro que além de ele tratar de um assunto desconhecido, ele coloca um pouco de si na personagem e a gente pode ter noção do que uma pessoa com TOC passa.
    O livro é sim repleto de quotes maravilhosos e fico muito feliz que você tenha gostado ^^

    lereliterario.blogspot.com

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    1. Eu amei Isa, é muito incrível a forma que o John relata o TOC.

      Beijos

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  4. Eu adoro filmes que abordem temas de problemas assim. Eu já tenho lo livro mas ainda não comecei a ler. Mas está na minha lista e espero gostar tanto quanto você gostou. Acho que o TOC é algo muito difícil de lidar.

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    1. Ooi Greice,

      Leia, é uma leitura muito agradável e reflexiva.

      Beijoos

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  5. Olá
    Tartarugas até lá embaixo foi uma das minhas primeiras leituras desse ano e eu adorei cada momento que passei com Aza. Eu me identifiquei muito com ela, e isso é meio assustados, mas, ao mesmo tempo, me fez perceber que existe solução para tudo. o John Green tem esse talento raro de tornar qualquer história maravilhosa.

    Vidas em Preto e Branco

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    1. Ooi!

      Exatamente Lary, John traz algo sensacional para suas histórias que é difícil explicar, são encantadoras e ficam na memória.

      Beijoos

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