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Último sorriso


Aquele cheiro de hospital lhe era tão familiar que chegava a assustá-lo. Não era a primeira vez que acordava ali,  depois de horas em uma cirurgia,  mas algo lhe dizia que seria a última vez que sentiria aquele cheiro familiar, que acordaria envolto em faixas e lençóis brancos em uma cama desconfortável.

Mark abriu os olhos,  pesavam em sua cabeça.  A luz do sol da manhã quase lhe cegara,  mas sentiu a presença de alguém no quarto.  Era a Sra. Martinis.  Uma senhora que o acolheu desde que sua mãe lhe abandonara em frente a casa 97 da rua próxima ao shopping da cidade. Ele a amava tanto. O advogado bem sucedido e o homem de caráter que Mark havia se tornado, foi graças à Sra. Martinis.

Foi ela quem o amamentou, quem o cuidou nas noites em que estava doente. Na sua pior fase da escola, no ensino médio, quando chegava em casa abatido por tantas brincadeiras preconceituosas feitas por seus colegas, era ela quem o animava, quem o fazia acreditar que a vida era muito além daquilo, o que os outros diziam ou pensavam sobre ele, não era o que ele realmente era por dentro. Ela foi sua maior referência de caridade, de amor ao próximo, de compaixão.

O que mais lhe doía, era saber que ele estava deixando-a pra sempre.  Queria levantar daquela cama, a qual tinha ficado amarrado a maior parte dos últimos 5 anos graças a um câncer,  e abraçar a mulher que lhe deu a chance de viver,  de ir a escola,  de se formar, de vencer as barreiras que lhe vinham no caminho, de se tornar quem ele era.

Em meio as lágrimas da sra. Martinis, Mark apenas conseguiu sussurrar com a voz trêmula:

- Mãe, eu... Te amo.

- Eu te amo muito, meu filho!

Foi o último sorriso de Mark, a última lágrima, a última batida do seu coração, finalmente, tinha acabado.

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