Dance Macabre

Por Marina Nascimento - 07 outubro


Com suas feridas todas abertas, retomou um velho hábito: desligou as luzes de seu quarto, trancou a porta e, por último, ligou seu tocador de discos e pôs-se a dançar uma valsa solitária. 

Botando os braços em sua fronte, como se segurasse o corpo de um parceiro imaginário, começou seus rodopios. Girou, e girou, e girou em sua dança descompassada, balançando para fora de seu corpo cada um de seus problemas. 

Sentiu um puxão em sua cintura e uma mão fria envolver as suas por entre os finos nós de seus dedos.     
— Você me concede esta última dança? — uma voz gélida sussurrou em seu ouvido, fazendo uma brisa fantasmagórica percorrer sua espinha. 

Mesmo sabendo que quando desligara a luz de seu quarto e fechara a porta, ela estava sozinha; não hesitou em aceitar o convite. 

Sua janela, deixando escapar alguns poucos raios de luz da lua, permitiu que ela distinguisse uma forma negra a sua frente, sem face. 

— Pensei que você nunca viria — respondeu. 

E ela nunca pensou que a morte dançasse tão bem...

Sentiu um beijo amargo selar seus lábios, pela última vez. 

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