10 fevereiro 2018

E se a escuridão fosse real? Parte 3


Caso ainda não tenha lido a primeira parte do conto, acesse >> E se a escuridão fosse real? Parte 1

Os dias se passaram, e todas as tardes eu olhava pela janela, quase sempre no mesmo horário das seis ás sete da noite, eu via Jasmine entrar na casa e horas depois sair. Eu fiquei na minha, não quis bancar a velha intrometida e chata da casa ao lado, e então certo dia, ouvi duas batidas leves na minha porta.Era Jasmine.

- Olá dona Clarice, incomodo?

- Oi minha filha, como vai? Claro que não, entre por favor.

- Obrigada. Eu preciso conversar com a senhora. Eu não sei se a senhora vai acreditar em tudo o que vou te contar sobre o que minha mãe sabe daquele dia que mudou nossas vidas para sempre, mas preciso correr o risco da senhora me achar uma louca varrida, pois não sei por onde começar.

- Ora, eu não lhe acho uma louca varrida, nem se você me falasse de bruxas ou fantasmas.Sente-se por favor.

Eu percebi a apreensão nos olhos de Jasmine, havia medo também. Mas ela confiou em mim, e me contou tudo, com detalhes o que houve, e então parecia tudo fazer sentido, pois a versão que foi passada durante anos pelos vizinhos no derredor á respeito da família era totalmente errônea.

- Pode parecer brincadeira o que vou lhe contar dona Clarice, mas preciso da sua ajuda e pra isso preciso que acredite em mim. Eu não tenho com quem contar mais. 

- Tudo bem Jasmine, no que puder vou te ajudar, pode confiar em mim.

 Por alguns instantes ela olhou para as mãos juntas no colo, seu olhar se fez distante, e então ela me contou algo que só de lembrar arrepia-me.

- Minha mãe, naquele dia, estava cozinhando, mas eu era muito pequena pra perceber que havia algo de errado com ela. Ela me contou depois de tudo, que andava a dias distanciada do meu pai, pois havia descoberto uma traição dele com uma de minhas tias que moravam em outro bairro.Ela enfrentou meu pai e botou ele contra a parede, era ela e nossa família ou minha tia. Ele escolheu a nossa família, e se afastou da irmã de minha mãe, e essa ... tia... ainda teve a coragem de correr atrás do meu pai por muito tempo, até que algo de errado começou a acontecer. Meu pai começou a ver coisas na nossa casa, acordava a noite com arranhões pelo pescoço, falava sozinho e chegou até ser internado dias antes do ocorrido por parecer estar com virose pois vomitava demais. Como disse, minha mãe no dia estava na cozinha, cabisbaixa com tudo o que vinha acontecendo na nossa família, e meu se levantou do sofá em desespero, gritando que estava vendo uma mulher de longos vestidos pretos e o cabelo tampava-lhe o rosto, e ela estava com uma faca com cabo de ferro na mão, dizia para meu pai pegar a faca e terminar com aquele tormento...

Enquanto Jasmine  falava, as lágrimas iam rolando em seu rosto, seus olhos voltados para a fachada da sua antiga casa que ficava a vista na janela atrás de mim.

- Os médicos dizem que meu pai teve um surto psicótico, mas minha mãe sabe que não foi isso. Os tormentos dentro de casa começaram quando meu pai decidiu largar da amante , e por acaso ou não, minha tia mexia com magia negra e trabalhos, não sei exatamente tudo sobre isso, mas sei que ela fez um trabalho de magia contra minha família, e acabou pegando no mais fraco, que era meu pai. Dona Clarice, eu me lembro como se fosse ontem, os olhos não eram do meu pai, ele exalava ódio e fúria, e quando ele voltou em si, entrou em choque, estava confuso e perdido.  Eu descobri tudo isso porque minha mãe me contou que suspeitava disso, então eu procurei essa minha tia, ela confessou pra mim, disse na minha cara que não pararia até que minha mãe morresse... Eu to desesperada dona Clarice, não sei o que fazer. Minha mãe disse que, se eu encontrasse a faca usada pelo meu pai e botasse fogo, talvez desse fim nisso tudo, a questão é que não encontro essa faca em lugar algum.

- Mas a polícia deve ter levado para fazer a perícia, não?

- Não, a faca não foi encontrada no dia, e nem depois, simplesmente desapareceu. 

-Olha, eu já vi muita coisa ruim nesse mundo minha filha, e acredito em você e na sua mãe, e vou te ajudar a achar essa tal faca.

- Como? Eu já revirei aquela casa toda.

- Vamos falar com sua tia de novo.

- Ela é perigosa dona Clarice, não acho bom a senhora ir lá.

-Ora minha filha, perigosa sou eu, "essazinha" vai ter que nos dar uma solução. Se você quiser dormir aqui, amanha cedinho vamos resolver essa história.

- Eu te agradeço muito dona Clarice, obrigada.

Jasmine me abraçou e aceitou dormir lá para cedo sairmos. Foi uma noite bem longa.



Continua.

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