E se a escuridão fosse real? Part.1

Por Gabrieli Andrade - 02 dezembro


Jasmine era uma menina boa, de coração grande e sorriso largo. Sempre que passava em minha rua mandava acenos e tchauzinhos empolgados, ela me alegrava. Mas depois de tudo o que aconteceu com a família dela não a culpo de nada. Conheço pessoas que perderam tudo na vida e conseguiram se levantar, mas Jasmine infelizmente não foi uma dessas pessoas.

Tudo começou naquela tarde de verão, me lembro até hoje como se aquele alvoroço barulhento ainda estivesse acontecendo aqui em frente a minha janela. Havia carros de policia e ambulâncias fechando a rua toda, quando sai para fora vi Jasmine  e seu irmão Joe sentados em uma das ambulâncias, estavam aparentemente assustados, com cortes entre os braços, pernas e o rosto, como se tivessem entrado em uma briga feia. Eu quis me aproximar mas os policias não deixaram. Tudo o que fiquei sabendo foram os vizinhos que chamaram a policia me contaram, e confesso que não acreditei em tudo o que disseram.

Nunca fui muito próxima da família de Jasmine, mas sempre que nos víamos eu os cumprimentava, perguntava coisas rotineiras do tipo: "Como vai a tia Luci?", ou "Este tempo está pra chuva não acha?", mas eles sempre me aparentaram uma família feliz, pai, mãe, filho e filha normais, que riam lavando a calçada, saiam para as pizzarias aos fins de semana, nunca notei nada errado e ainda não entendo como as coisas chegaram a este ponto.

Naquele dia disseram-me que o pai de Jasmine, havia tentando matar a esposa com uma facada no abdômen, os motivos ninguém sabe. Aí as crianças entraram na briga também, e o pai as machucou com a faca. Depois que caiu em si, o senhor Thomson se matou com uma facada no meio do coração. Nem sei descrever tamanho horror que passei ao ouvir isso dos nossos vizinhos. E hoje, dez anos depois, vi Jasmine em frente a casa, com o olhar perdido, com medo de entrar, ficou parada lá alguns bons minutos. Depois se virou e saiu de carro.



(Continua) 

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