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A Velha Cadeira de Balanço


Sentada nessa cadeira de balanço, aqui da janela do meu quarto, já vi tantas idas e vindas, tantos amores e amizades se formarem e terem fim. Vi entrar o meu pai em casa com um sofá novo de presente para minha mãe, quando tinha 15 anos.

Vi minha vizinha ser presa pela polícia dois anos depois, por falso testemunho. Provavelmente ela estava encobertando seu namorado, que era envolvido com o pessoal de tráfico de drogas.  Com 20 anos vi minha irmã mais nova, ser pedida em casamento no meio da rua, foi realmente uma linda surpresa.

Vi adolescentes roubarem beijos na esquina da rua a frente, vi jovens sozinhos caminhando em busca de respostas que só mais tarde, pensava eu, descobririam. Vi casais passarem de mãos dadas apaixonadamente sorrindo um para o outro e algum tempo depois, cada um passar de um lado da rua em carros diferentes, caminhos diferentes e vidas diferentes. 

Quando completei 22 anos, estava eu aqui novamente, quando ele passou na rua e acenou pra mim. Henri tinha esse hábito quando mais jovem, acenar a todos que via na rua. Dois anos depois, nesta cadeira de balanço estávamos eu e ele, noivos, lendo um romance e ouvindo a chuva cair enquanto minha mãe preparava um café.

Hoje tenho 75 anos, faz dois anos que Henri se foi. Estou agora na casa que era dos meus pais, já que de minha família e Henri, fiquei somente eu, aqui, nessa cadeira novamente. A visão daqui é linda, o sol está fraquinho, já está quase anoitecendo. O cheirinho de terra molhada indica que vem chuva por aí, e um casal de jovens acaba de passar aqui em frente. São lembranças lindas, saudades eternas e um tempo que não volta mais. Ah, que vida linda vivi por aqui, somente agradeço. Quando chegar minha hora, assim como chegou a de mamãe, de papai, da minha irma e de Henri, quero que meu último olhar seja aqui, onde vi tantas coisas boas que me ensinaram tanto, assim como coisas ruins. Quero apenas fechar os olhos e descansar, sem lágrimas, sem desespero, sem dor. Apenas dizer adeus.

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