Ate quando?

Por Gabrieli Andrade - 12 abril



O relógio da cozinha era o único estalar que se ouvia no barulho do silencio naquela sala. Eram exatamente 22:30 da noite. Dois minutos depois dela se sentar no sofá.

Cinco minutos depois dela enxugar a ultima lagrima que escorria pelo seu rosto quente.
Dez minutos depois de seu marido ter lhe batido no quarto, com um soco que não machucara somente seu rosto, mas a sua alma.

Abatida.
Cansada.
Constrangida.
Calada.

Seu coração gritava, mas de que adiantava? Ninguém lhe ouviria.
No meio daquela escuridão, quebrada apenas pela iluminação da rua que entrava pela janela da cozinha, ela só queria gritar desesperadamente por socorro.

Ela sabia que, na manha seguinte, daria um jeito naquele roxo em seu rosto e nos arranhões no braço. Diria aos seus amigos do trabalho algo que ainda não disse a eles, como ter caído no quintal. Sorriria. Suportaria.

A pergunta era, ate quando ?

Queria que alguém lhe tirasse dali, já não tinha forças para lutar contra seus próprios medos.Recostou-se e fechou os olhos.

 Imaginou-se longe dali, perto de quem a manteria em segurança. Perto da justiça. Perto do amor. Adormeceu.



Inspiração : "Maria, da pena" - Marina Nascimento.


PS: Violência contra mulher e crime! Não se cale, denuncie!

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