Maria, dá pena

Por Marina Nascimento - 02 maio


Era uma vez...não, era uma vez não se encaixa aqui. Eram duas, eram três, eram quatro vezes. E ele continuava a espancá-la com os punhos fechados, só para depois fingir que nada acontecia — ela aguentava calada. 

Uma escoriação leve. Um hematoma aqui, outro ali. Uma pancada. Crec. Crec. Crec — Ó, meu Deus, por que me abandonaste? 

Ela chora. Ele ameaça. Ela corre. Ele pede desculpas. 

Tudo melhora — quanto tempo dura sua redenção? 

Um gole. Dois goles. Três goles. Perco a conta. O último gole desesperado. O tapa — durou exatas 24 horas. 

Maria, isso dá pena. 

Pena que não é perpétua.

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